Poeteria Crônica


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Notas de Viagem

 

Séculos depois

Em notas de viagem

Sempre a viajar

E viajar, viajar

Alma a vagar

Por oceanos e Terras

Ares e chamas

Decido então sem proclamas

Que a partir de então

Alma cigana adormece a sonhar

Apenas por hora

Paixões nômades a se acalentar

Frutos e flores

Galhos e folhas

Com tronco e raiz

Local da matriz

De frente pro porto

De costas pro horto

Antigas árvores esquartejadas em dor

São agora bravos navios a vapor

Estão sempre a chegar

E a partir e ir e vir

Assisto ao espetáculo

Por hora

Em uniforme tronco receptáculo

E plena raiz

Com vista panorâmica em matiz

De frente pro mar

Não são ventos a derrubar

Que farfalham folhas a cair

É a experiente árvore que gargalha

A saculejar, a saculejar

Em raiz com vista pro mar

 

 



Escrito por Escrito por Cesar Póvero às 00h19
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