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Os Fantasmas se Divertem
Quando os fantasmas batem à porta
Sendo que ainda não sou pessoa morta
Ouço esse bater
Tento não atender
Ouço o telefone tocar
Mais um a chamar
Em sua maioria
Não dizem a que vieram
Apenas suspiram de euforia
Querem abraços
Querem beijos
Querem amassos
Mas desaparecem sem volta prevista
E sem deixar nenhuma pista
Janelas se abrem
Portas se fecham
Corredores e mais corredores
A levar-me a algum lugar
A me trazer para algum lugar
Mais janelas e mais portas
A me engolir
A me expelir
Partos momentâneos
Vídeo clips instantâneos
Flashback a relampejar
Tempestade a exorcizar
O passado mal passado
Na calada da noite vem a calmaria
Até que alguém toca a campainha
Escrito por Escrito por Cesar Póvero às 13h15
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Casa Vítrea
Transparente, cristalina. Esses são os adjetivos da casa vítrea. De fora tudo se vê e de dentro tudo se mostra. A nudez ostensiva e exibicionista que se revela através das paredes inúteis e inermes de qualquer utilidade. Sem qualquer intenção de frivolidade, apesar de tão dúbia e perdida na dualidade do latente e do explícito que tenta passar incólume trajando reflexos de sol, vapores de calor ou ainda gotículas de chuva. O óbvio substitui o concreto em alicerce frágil do chão ao teto. Assim sendo, neste lar vítreo lar, ninguém ousa acertar o telhado do vizinho. Ninguém ousa mentir pelo interfone que não está sozinho. Não há calúnias que não se saiba. Não há tristeza que não se reflita na fachada. Enquanto o sexual e o escatológico chocam possíveis vizinhos, o medo é o de não poder se esconder em circunstâncias de previsíveis perigos. Todos podem estuprá-la, assim como faz o astro rei todas as manhãs e a lua serena todas as noites a seduzir. Tudo se lê, tudo se vê, tudo se sabe, mas mesmo assim não se lê tudo, não se vê tudo, não se sabe de tudo. Por mais cristalina e transparente que seja a tal residência, o que se reflete e se espelha na dita cuja, ainda oculta os mistérios mais recônditos, as fantasias mais sórdidas e os mais ínfimos sentimentos. Enquanto as paredes vítreas empoeiram de desleixo, velam aos poucos a incerteza e a esperança. Ocultam num esconde-esconde a tua silhueta que não se aproxima, nem mesmo a sua volta que não mais persevera e sim perece, assola, devasta em paredes leitosas e opacas num lusco-fusco sem fim. Enquanto isso em seu interior, me inebrio de niilismo inexpressivo e quase apaticamente pacifico. Reflito em reflexos e reflexões e decido meu mais límpido e diáfano desejo de que um raio a parta em milhares de fragmentos. Caquinhos transparentes, cristalinos, vítreos.
Escrito por Escrito por Cesar Póvero às 19h12
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