Poeteria Crônica 35

Casa/Céu
Meio que um Terminal
Meio que uma Rodoviária
Estação de destinos
Faz assim a casa/céu
Tão frágil como de vidro
Tão sensível quanto papel
Mas não molha e não quebra
Ela é somente energia etérea
Alguns sobem para chegar todos os dias
Outros partem para descer sempre sempre
Para o planeta bola onde todo mundo não se entende
E se embola até o chapéu
Mas tudo tem que ser diferente na casa/céu
Onde nada é palpável
O bicho homem deixa de ser cascavel
Onde os segundos deslizam e são saboreados como mel
Enquanto no planeta bola todos perdem tempo
Discutindo e se amargurando com motivos-fel
Na casa/céu tem anjo
Tem arcanjo
Tem canja
Onde se manja manjar dos deuses
Mas não adianta ficar com vontade
Na casa/céu só se vai quando se é chamado
Não adianta prestar concurso
Desde que descemos de lá
O retorno tem dia marcado
Para que chorar o leite não derramado
É melhor aproveitar o planeta/bola
Enquanto estamos de passagem
Afinal na casa/céu não tem sacanagem
Ah! Que chatice!
Escrito por Escrito por Cesar Póvero às 15h37
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