Poeteria Crônica


Poeteria Crônica 35

 

 

Casa/Céu

 

Meio que um Terminal

Meio que uma Rodoviária

Estação de destinos

Faz assim a casa/céu

Tão frágil como de vidro

Tão sensível quanto papel

Mas não molha e não quebra

Ela é somente energia etérea

Alguns sobem para chegar todos os dias

Outros partem para descer sempre sempre

Para o planeta bola onde todo mundo não se entende

E se embola até o chapéu

Mas tudo tem que ser diferente na casa/céu

Onde nada é palpável

O bicho homem deixa de ser cascavel

Onde os segundos deslizam e são saboreados como mel

Enquanto no planeta bola todos perdem tempo

Discutindo e se amargurando com motivos-fel

Na casa/céu tem anjo

Tem arcanjo

Tem canja

Onde se manja manjar dos deuses

Mas não adianta ficar com vontade

Na casa/céu só se vai quando se é chamado

Não adianta prestar concurso

Desde que descemos de lá

O retorno tem dia marcado

Para que chorar o leite não derramado

É melhor aproveitar o planeta/bola

Enquanto estamos de passagem

Afinal na casa/céu não tem sacanagem

Ah! Que chatice!

 

 

 

 

 



Escrito por Escrito por Cesar Póvero às 15h37
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Poeteria Crônica 34

 

Ano

 

Novo ano novo

Novo livro livre 

Novo mês mesquinho

Novo capítulo a capitar 

Nova semana sem sal 

Nova página pálida

Novo dia-amante 

 

Páginas em branco borrado 

 

Primeira frase fria

Primeiros novos momentos mornos

Primeiras novas linhas lépidas 

Primeiros dígitos desjejum

Primeiro respirar roto

Primeiro pulsar pensativo

Primeiro olhar ouvindo ósculos

 

Páginas a voarem vingativas

 

Mesmas pessoas impessoais

Mesmos lugares deslocados

Mesmos móveis imóveis

Mesma rotina diversificada

Mesmo tédio tripudiante

Mesmas outras bocas bélicas

Mesmos diferentes corpos circo

 

Páginas para um não reescrever retilíneo

 

Novos primeiros passos parcos 

Sobre o gelo que se parte perdendo-se...

Página que começa assim azul...

Era uma vez vida...

Um novo mundo mais...

Éramos nós ninguém...

Adão e Eva num infernal/paraíso... 

 

Páginas queimam sobre o gelo an-gelical.O novo se congela sob o fogo-fátuo.

 



Escrito por Escrito por Cesar Póvero às 18h17
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