Poeteria Crônica


Poeteria Crônica 33

 

Algodão Doce

 

Nascem cores em janeiros

Colorindo ao poucos

Quase que por inteiro

Antes que venha

O carnavalesco fevereiro

Beiro-beiro

Esse mês

Chuva de cheiro

Sinto minto

Explodo e beijo

Terra molhada

Amassos de pipoca

Mordidas de maçã do amor/tesão

Quero-quero

Nuvens cor de rosa de doce algodão

A virgenzinha nua alegrinha

Em saborosas tardes de solidão

Acaricia o corpo na nuvem fofa

Fazendo desfeita

Para os anjinhos que não podem bater punheta

Quero-quero

Doces beijinhos

Que vêm voando com os cantos dos passarinhos

A virgenzinha goza sem carinhos

Em orgasmos múltiplos

Causando espasmos no céu

Provocando o crepúsculo cor de rosa

Longe... longe...

Cai assim a tarde formosa

Agora sim tudo pode ser colorido

 



Escrito por Escrito por Cesar Póvero às 18h05
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Poeteria Crônica 32

 

Fui

 

Parto assim

Parto normal de mim

Parindo-me

Enfim

Repartindo o coração em dois

Cicatrizando logo depois

Com a alma aparte

Parto assim

Dissipando-me em partículas

Em meio a poeira da estrada profícua

E seguindo assim

A hora da partida de mim

Ponte que me transporta atrás da porta de meu cerne

Máquina do tempo que teletransporta o ermo

Humanos e enganos

Saio pela tangente do cano

Ponte que aponta

Apontamentos e postais

Seguindo o percurso bem-vindo

Indo e vindo

Indo...

 



Escrito por Escrito por Cesar Póvero às 17h42
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Poeteria Crônica 31

 

           O Retorno da Poética

 

           Ao som de sirenes ela despertou. Assustada e perdida no tempo, não sabia ao certo quanto tempo havia levado sua hibernação, mas sentia que algo não andava bem.

Seus filhinhos estavam na FEBEM, não faziam mais malabarismos com fogo nos faróis.

Foi então que a Poética novamente saiu nua para a rua e com sede e fome de procriar, mais promíscua do que nunca, se enfiou em todos os cantos e becos.

Desfilou pelas feiras e todos a quiseram provar como carne de primeira. No cinema pornô, todos achavam que ela havia saído de dentro da tela, Rosa Púrpura Nua do “Cairalho”.

No baile funk, a Poética se entregou a tudo e a todos mais uma vez, enquanto era chamada de cachorra.

- Ela está descontrolada!

Nas ruas, alguns a xingavam, lhe atiravam coisas, Maria Madalena pós-moderna.

Na FEBEM não lhe deixaram visitar seus filhos e ainda assim foi presa por atentado ao pudor.

Logo uma juíza a condenou sem direito a defesa ou explicação e a jogou numa cela com vinte homens presos pelos mais diversos crimes sórdidos, vinte esses, que talvez um dia na longínqua infância tenham ouvido falar da Poética, mas às vezes em algumas vidas não há tempo para isso.

Agora a Poética estava jogada numa cela suja, sendo possuída e repossuída como num "Gang Bang".

A Poética não resistiu e se desfez em mil pedacinhos sórdidos que escapavam por entre as grades como sujeira e ganhavam as ruas, se espalhavam pelo mundo.

Ainda que o gene mais forte havia prevalecido, novecentos e noventa e nove  Poeminhas peladinhos cresciam robustos e em instantes saiam por aí metralhando Poesia em versos perdidos.

Somente a milésima parte, um único pedacinho não havia dado certo e tramava o que poderia fazer para combater aquelas centenas de seus irmãozinhos.

Precisaria de muita força, foi então que decidiu descansar enquanto pensava numa boa estratégia de ataque. Enquanto se espreguiçava e alongava seus membros, um belo corpo de mulher se fazia, e ao se olhar no espelho, sentiu desejo por si mesma, era hora de - a Sórdida ir para as ruas e esquinas ganhar vida, ganhar a vida...

 

 

 



Escrito por Escrito por Cesar Póvero às 15h14
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Poeteria Crônica 30

 

Amnésia

 

Existe uma página em branco

Pronta para ser preenchida

Digamos que ainda não está pronta

É apenas um vácuo aguardando acontecimentos

Um nada almejando histórias para contar

Uma folha vagando em brancas nuvens

E minha mente divaga...

Enquanto idéias navegam no mar morto

O trem com seus vagões em trilhos tortos

Portos aguardam vivas anedotas dos mortos

Atraco, pouso e descarrilo

Em lendas, cartas, fendas

Luzes estreitas de contos e contas

Pontos e pontas a furarem e a ferirem

A chorarem e a rirem

Mirem e calem

Falem e vão

Entre falanges e legiões

Farto-me em letras que me banham

A lavar os neurônios queimados

Memórias derramadas dos copos

Os demônios sopram sussurros lascivos

Os anjos contam trovas sem perigos

A dor de cabeça passa

Quem sabe se amanhã saberei o que escrever

 

 



Escrito por Escrito por Cesar Póvero às 01h57
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